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Segunda-feira, Outubro 29, 2007


Nunca me canso de ler esta piada...

Estou com uma dúvida cruel... alguém pode me ajudar ?
Veja: Lula anda se comparando a Cristo e a Tiradentes.
Bem... isso é um direito dele, mas... e no dia 29 de outubro?
a gente crucifica ou enforca?


auehauhehauheua... eu não sei qual dos dois vão fazer, mas para ter a certeza de que foi bem feito, pode deixar que eu levo o álcool e os fósforos!

publicado por Dri
Diga lá:

Tropa de Elite (sei que o tema tá clichê mas não agüentei...)

Nunca tive o menor saco para pareceres humanóides, aqueles que tentam me convencer o tempo todo de que “o meio faz o indivíduo”, de que “todo ser humano é passível de recuperação” e que, a grosso modo, todo mundo tá errado e o bandido é que é um “coitado”. Há anos (ainda antes da louca da Von Richthofen) os meus amigos me ouvem fazer a mesma interrogação: qual a dificuldade do Ser Humano em reconhecer que existe gente ruim? Gente que faz a maldade pela maldade de um jeito que nenhum outro animal faria?

Pois bem, quando vi logo na introdução do filme uma frase sobre essa balela de que “o meio faz o indivíduo” pensei “potz... não creio que até aqui vão tentar me convencer disso!”. A sorte é que aquela era apenas uma filosofada de algum sociólogo ou antropólogo qualquer (que de certo nunca foi assaltado) e que certamente foi inserida ali pelo José Padilha, diretor do filme (que depois vim a saber ser um desses humanóides insuportáveis), e que as cenas seguintes muito pouco teriam a ver com essa teoria. Na verdade, as cenas seguintes foram um bálsamo. Bálsamo para mim e para todos aqueles que – embora por meio de uma ficção – se sentiram “vingados” pelo “senta o dedo nessa porra” da personagem Cap. Nascimento.

os humanóides X a xiita (eu) – por tudo o que vi até hoje, creio que 90% dos jornalistas e todo esse pessoal ligado às artes de maneira geral (cineastas, músicos, atores e etc) têm essa visão humanóide que me irrita e, para a minha surpresa, o diretor de Tropa de Elite também a tem.

O vi esses dias na Marília Gabriela dizendo que o objetivo do filme era justamente meio eu denunciar a corrupção do sistema (ate aí, ok), denunciar a tortura a qual são submetidos os criminosos (hein?) e que ele tinha ficado “surpreso” com a reação do público de “aplaudir” o trabalho do pessoal do BOPE.

Nisso, Marília Gabriela dá aquela rodada na caneta, faz uma pose e solta a pérola: “puxa! Eu também vejo o filme sob a mesma ótica que você! Também entendi que o objetivo é denunciar a corrupção e os abusos da polícia e do BOPE”. Hein??? Marília, desce do pedestal, fofa! Você já foi assaltada? E se você fosse uma menina de periferia que é estuprada num terreno baldio quando volta da escola pública tarde da noite porque trabalhou o dia inteiro? Você ia considerar a conduta da polícia como "abusiva"? (Neste momento da entrevista eu já estava rosnando, mas enfim, vamos continuar com o texto...).

Gente, eu não sei vocês, mas eu não agüento mais esse papo que tenta me convencer todo dia que eu é que sou CULPADA por ser honesta, por trabalhar 12 horas por dia, por ter meu carro, e que será absolutamente natural se mais cedo ou mais tarde eu – uma trabalhadora – for assaltada! Parem com esse papo humanóide que tenta transformar o mocinho em bandido condenando o Luciano Huck por ter um rolex: DANE-SE se a porcaria do relógio custa o equivalente ao valor de 10 ou 20 casas populares! O Luciano Huck trabalha, não trabalha? Ao que nos parece, é um cidadão do bem que paga todos os seus impostos, não é? Então foda-se o que ele quer fazer com o dinheiro dele! Ou que m... de democracia é essa que me permite trabalhar 12 horas por dia mas não em deixa usufruir o que eu conquisto com o meu trabalho??? (pronto! Já estou rosnando de novo...).



um supapo na classe média – eu que sempre fui "careta" e nunca provei nenhum tipo de droga, não compro nada pirata e cansei de ver meus pais sendo assaltados (com direito a arma na cabeça e chutes na bunda na época em que tinham um pequeno comércio no Bom Retiro), fiquei me perguntando se era necessário um filme para fazer com que as classes média, média alta e alta se tocassem de sua co-responsabilidade com a realidade que temos hoje. Quando no filme é lançada a pergunta “quantas crianças a gente vai ter que perder para o tráfico para o playboy da zona Sul poder acender seu baseado?”, me perguntei quantos usuários de droga deveria haver na mesma sala de cinema em que eu estava e se aquela frase teria provocado alguma reflexão naquelas pessoas ou se simplesmente entraria por um ouvido e sairia pelo outro, afinal, pensar que “não é comigo” é sempre mais fácil.

Como bem disse minha amiga Maria Clara nesta sexta, enquanto conversávamos num “happy hour cabeça”, a classe média precisa se tocar dessa sua co-responsabilidade e parar urgentemente de se comportar como uma financiadora do crime que, quando desce do morro, vem querer cobrar segurança do poder público! Isso não existe! Eu, que trabalho, pago impostos e sou honesta, eu sim posso cobrar isso! Já o playboyzinho que precisa de um ecstasy para se divertir na balada, o que precisa de maconha praa tomar coragem pra bater em gente em ponto de ônibus ou o que ateia fogo em índio, esse deveria ter um adesivo na testa escrito “eu faço parte da quadrilha”, afinal, o que o distingue daquele que rotulamos como bandido? O lugar onde mora? O carro que tem? A faculdade que cursou (os filhinhos de papai são os piores pois tiveram toda a oportunidade do mundo e jogaram pela janela! essa racinha tinha que ter pena dobrada!)?

Sei lá, posso estar sendo meio “xiita”, mas já que a moda agora é dizer que “o meio faz o indivíduo”, digamos então que “o meio me fez intolerante”!

Em tempo, se ser pobre e morar na periferia é sinônimo de ter direito de virar bandido, eu, por sorte, tenho 3 primos que viveram exatamente essa realidade (e ainda vivem) e que não degeneraram. Pelo contrário, os 3 se tornaram policiais e hoje procuram manter a dignidade apesar do risco, das armas e do salário ridículos, do descaso do governo, do escárnio dos criminosos e da desconfiança da própria população.

Pergunta: agora vocês entendem porque a personagem do Cap. Nascimento e o Rodrigo Pimentel (ex-BOPE e roteirista do filme) viraram meus ídolos?

p.s.1: tem dozinha de assaltante, assassino, estuprador, traficante e afins? Então vai dar a mãozinha pra eles ou faça a sua irmã casar com um deles!

p.s.2: eu pagava pra conversar 5 minutinhos com o Rodrigo Pimentel pra entender como ele conseguiu trabalhar mais de 3 meses com o diretor do filme sem que eles se matassem!

pronto! depois de um ano sem escrever, desabafei auehuheuhauhe...
publicado por Dri

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